terça-feira, 17 de abril de 2012

O outono

Numa tarde de outono, olhava o cair das folhas pela janela da cozinha enquanto fervia um chá.
Admira o outono; uma estação bonita e calma. Seus tons de dourado, cada pôr-do-sol diferente do outro o encantava. Mas limitava-se a ver das janelas da sua pequena casa numa viela em meio ao caos da grande metrópole.
Seu chá em ebulição, apesar do fogo brando, o fez perceber por quanto tempo estivera olhando o tempo pela janela da cozinha. Por ele continuaria ali por horas e horas, até que pudesse ver o sol nascer novamente e novamente e novamente.
Seus pensamentos não iam além da beleza daquelas cores, daquele movimento sutil que fazia seu chá ferver e as folhas lá fora flutuarem.
Por alguns minutos, que ele não sabe precisar quantos foram, mas que se pudesse, congelaria para sempre na sua memória, com medo de não poder vivê-lo novamente, esqueceu de tudo. Ali, naquela janela de outono, não havia amor, não havia saudades, nem lembranças. Apenas quis congelar parcialmente sua vida, a fim de nada.